Para começar e entender o Tao do Feng Shui, é preciso entender que o Feng Shui é uma ferramenta metafísica. Ou seja, o Feng Shui observa a energia da terra num determinado ciclo temporal, com raízes na China milenar, assim como o Taoísmo.
Tal como o Feng Shui, também o Taoísmo é originalmente uma prática xamânica.

Ambas as disciplinas partilham a sua raiz, desenvolvendo-se através da sabedoria ancestral de que tudo está ligado. Desta forma, o chi ou energia vital, expressa-se de muitas maneiras diferentes. Tal como o Feng Shui, também o Taoísmo nasce de uma relação visceral com a natureza, da sua compreensão. Ou seja, não se limita apenas ao mental ou racional, mas também ao alinhamento harmonioso com os ciclos do universo.

Nesse sentido, ambas as práticas têm vindo a evoluir, adaptando-se à cultura moderna. Por exemplo, nas abordagens clássicas de Feng Shui as vibrações electromagnéticas, como as emitidas pelos telemóveis, microondas ou outros sistemas eléctricos, não são tidas em conta. Isto, porque há milénios atrás, o problema de excesso de ondas electromagnéticas, simplesmente não existia.

As diferentes práticas

Tal como no Feng Shui, existem também centenas de variações na prática taoista. Aliás, dependendo da forma como vemos o Feng Shui ou de como o experienciamos, pode ou não fazer sentido a existência de tantas variantes. Por exemplo, se procurarmos verdades absolutas ou princípios inquestionáveis, assim como o que está absolutamente certo ou errado num espaço ou numa casa, fará sentido uma abordagem mais técnica.
No entanto, a variedade de abordagens e métodos é fácil de explicar segundo o Tao do Feng Shui. Primeiramente, porque estamos a falar de energia, que influencia e é influenciada pela matéria e intenções. Em suma, a sua natureza é dinâmica e sempre em mudança, contudo é sempre a mesma. Por outras palavras, o que quero dizer é que cada um de contém a mistura de muitas verdades.

Dentro desta visão, o dogma não faz sentido. Melhor que uma verdade inquestionável, é a percepção profunda dos ciclos. Como tal, é importante aprender a navegar neles, de forma a encontrar bocados de verdade em cada fase, em cada movimento ou em cada divisão.

Ninguém vive a casa da mesma maneira

Obviamente que ter as diretrizes básicas ajuda. Conhecer os fundamentos do espaço, do tempo e da energia ajuda na compreensão do que acontece e porquê. Neste caso, compreender a dinâmica do chi, yin e do yang e das cinco transformações, que são a base da metafísica chinesa e estão espelhados em tantas disciplinas milenares, como medicina tradicional chinesa, astrologia chinesa, feng shui, yijing, chi kung ou tal chi.
Assim sendo, havendo tanta variedade de abordagens de Feng Shui é importante descobrir e resgatar um conjunto de técnicas, que ajudem manter a mente o corpo e o espirito em harmonia na casa. Directamente relacionados com a singularidade de cada habitante, estes procedimentos devem suportar a essência de cada um, pois ninguém vive a casa da mesma maneira. Aliás, ninguém vive a vida da mesma maneira. Logo, o que pode ser bom para um habitante pode ser desafiante ou problemático para outro.

O que fazer?

Segundo Tao, é necessário tempo para relaxar e apenas explorar. Ou seja, não faz mal se não tiver um plano. Nesse sentido, é importante aprender a confiar no instinto, dando destaque à intuição. Simultaneamente, o “bom Feng Shui” é criado quando há um alinhamento energético com o espaço e com o tempo. Acredite: sentir a energia não é difícil e pode aprender-se.

Aceitar as pequenas imperfeições

Para terminar, muitas vezes pensa-se que o objectivo da vida ou da casa, é a perfeição, mas não é. Pessoalmente, acredito que é importante aceitar as pequenas imperfeições, que são o que nos caracteriza realmente. Na verdade, as pequenas imperfeições que nos compõem, manifestam-se nos nossos espaços. Ou seja, são estes elementos de caos, que nos conferem personalidade e que nos tornam únicos! Por outro lado, são mensagens de onde estamos e de como estamos.

Em suma: o Tao, aliado ao Feng Shui traz-nos a uma vivência da casa intuitiva, plena, em fluxo e plena de descobertas que nos trazem mais perto da essência individual.

©SofiaBatalha

Sofia Batalha

Sofia Batalha

Fundadora e Editora da Revista

Mamífera, autora, mulher-mãe, tecelã de perguntas e desmanteladora o capitalismo-global-colonial-tecnológico um dia de cada vez. Desajeitada poetiza de prosas, sem conhecimentos gramaticais. Peregrina pelas paisagens interiores e exteriores, recordando práticas antigas terrestres, em presença radical, escuta activa, ecopsicologia, arte, êxtase, e escrita.
Autora de sete livros e editora da revista online e gratuita Vento e Águapodcast Re-membrar os Ossos e Conversas D'Além Mar.